Um plano de infraestrutura para o complexo portuário de Antonina e Paranaguá, divulgado neste mês de março, aponta uma séria de melhorias que poderiam dobrar a movimentação portuária no Paraná até 2047.

O estudo foi divulgado pela Infra S.A, empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes.

Ainda em versão preliminar, o estudo mostra oportunidades de investimentos e melhorias.

Estimativas

O Plano Mestre projeta um salto expressivo na movimentação de cargas do Porto de Paranaguá e Antonina nas próximas décadas, com ampliação de aproximadamente 120% até 2050.

De acordo com o estudo, a demanda deve passar de cerca de 68,1 milhões de toneladas, em 2025, para 150,5 milhões de toneladas em 2050.

A superintendente de planejamento e estudos de transportes da Infra S.A, Samantha Albuquerque, explicou que o plano leva em conta diversos fatores.

Além da estimativa de demanda referencial, o estudo desenvolve cenários competitivos que avaliam a capacidade do complexo em ampliar sua participação de mercado mediante ganhos de produtividade, redução de tempos de espera, otimização de acessos terrestres e aprimoramento da prestação de serviços.

Nesse cenário, a movimentação total pode alcançar 195,6 milhões de toneladas em 2050.

Melhorias

Para que o complexo alcance a capacidade projetada, o plano estabelece ações e investimentos, com intervenções na infraestrutura portuária e nos acessos logísticos.

Entre os principais investimentos portuários, está a implantação da segunda fase do Píer em T e do Píer em F, com foco na ampliação da capacidade de embarque de granéis sólidos vegetais; Reforço estrutural e aprofundamento de berços de atracação, em consonância com futuras intervenções no canal de acesso;

Recuperação e modernização do Píer Público de Granéis Líquidos (PPGL), Implantação de novas balanças intermediárias e aprimoramentos nos fluxos internos de granéis agrícolas, elevando a eficiência logística e acompanhamento do alteamento de dutos dos terminais de granéis líquidos, fortalecendo a segurança operacional e ambiental.

O plano também prevê a implantação de berço específico para movimentação de passageiros em Paranaguá e contempla ainda melhorias nos acessos rodoviários, ampliação e implantação de pátios de triagem, ações de mitigação de impactos climáticos, obtenção de certificações ambientais e iniciativas voltadas ao fortalecimento da relação porto-cidade.

Consulta pública

O Plano Mestre está disponível em consulta pública na Plataforma Brasil Participativo até o mês de abril. A ideia é que a sociedade possa contribuir para o entendimento do atual cenário do complexo portuário paranaense.

A superintendente ainda lembra que é preciso analisar a infraestrutura do estado como um todo de forma que haja conexão entre demanda e entrega, desde a produção de produtos até o escoamento ao porto.

Nesse sentido, equipes da Infra também trabalham com o Governo do Estado em um estudo de larga escala.

Balanço

Atualmente, o Porto de Paranaguá figura entre os principais polos de movimentação de cargas do país e ocupa posição de destaque nas exportações brasileiras.

No segmento de granéis sólidos agrícolas (GSA), está entre os maiores embarcadores nacionais, com operações concentradas nos corredores de soja, milho e farelo.

Já na carga geral conteinerizada (CGC), o porto é peça-chave especialmente na exportação de carnes refrigeradas e congeladas.

Segundo a TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, apenas em janeiro de 2026, foram movimentados o equivalente a 145.592 contêineres de 20 pés (TEU) em janeiro de 2026, o melhor resultado registrado para o mês na série histórica e que representa uma alta de 8% em comparação ao desempenho 2025.

Somando embarques e desembarques, sem considerar o peso dos contêineres, o Terminal movimentou um total de 1,014 milhão de toneladas.

As exportações chegaram a 680 mil toneladas, alta de 19% frente às 567 mil toneladas do ano anterior, enquanto as importações cresceram 9%, passando de 307 mil toneladas para 334 mil toneladas.

O segmento comercial de carnes e congelados exportou 357 mil toneladas, 45% a mais do que em 2025, quando foram embarcadas 247 mil toneladas. Em seguida, vieram os segmentos de madeira, que se manteve estável com o embarque de 105 mil toneladas, e o segmento de papel e celulose, que exportou 88 mil toneladas, 30% a mais que as 67 mil toneladas de janeiro de 2025.

Nas importações, os destaques foram para os segmentos químico e petroquímico (54 mil toneladas), automotivo (47 mil toneladas) e de eletroeletrônicos (31 mil toneladas).
O número de contêineres que passaram pelas vias de acesso rodoviário ao Terminal (gate) foi recorde e chegou a 56.880 unidades, crescimento de 11% em comparação às 51.467 unidades do ano anterior.

Fonte: CBN / Curitiba

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