O Brasil deve ver nos próximos meses a aceleração do projeto de construção da ferrovia de cargas conhecida como FIOL, em meio aos esforços dos setores público e privado.

A construção da FIOL, ou Ferrovia de Integração Oeste–Leste, está dividida em três trechos – FIOL I, FIOL II e FIOL III –, totalizando uma linha de 1.527km que ligará Ilhéus, no estado da Bahia, a Barreiras, no estado do Tocantins.

Em 2021, a Bahia Ferrovias, braço da Bahia Mineração (Bamin), conquistou a concessão de 35 anos para a construção e operação do trecho de 537km da FIOL I. Enquanto isso, a FIOL II está em construção e é administrada pela estatal Infra S.A. e a FIOL III permanece em estudo.

Nesta semana, a Infra S.A. assinou um contrato liberando R$467,9 milhões (US$90 milhões) para a conclusão de um dos trechos mais sensíveis da FIOL II na Bahia, conhecido como traçado de Ceraíma.

A FIOL II tem extensão de 481km. Os trechos a serem concluídos agora sob o contrato assinado pela Infra S.A. compreendem 35,75km do lote 05FC, entre os municípios de Guanambi e Caetité, no estado da Bahia.

O consórcio composto pelas empresas A. Gaspar e Vipetro ficará responsável pelos projetos básico e executivo e pela execução das obras remanescentes do lote 05FC.

“Temos 71% de execução física da FIOL II e mais de 46% dos trilhos já lançados. Com o 05FC contratado, eliminamos um dos principais gargalos técnicos da ferrovia,” disse André Ludolfo, diretor de empreendimentos da Infra S.A., em um comunicado.

O avanço do trecho da FIOL sob responsabilidade da Infra S.A. ocorre em um momento de expectativa sobre o progresso de outro trecho crucial da ferrovia, a FIOL I.

Atualmente, o controlador da Bamin, Eurasian Resources Group (ERG), está negociando a venda do controle da empresa para a gigante portuguesa Mota-Engil.

As empresas já assinaram um acordo preliminar e agora a Mota-Engil está conduzindo um processo de due diligence nos ativos da Bamin, que compreendem, além do contrato da FIOL I, também a construção de um porto e a operação da mina de minério de ferro Pedra de Ferro, também na Bahia.

Um acordo final deve ser anunciado até junho, disse à BNamericas um executivo com conhecimento das negociações, que pediu para não ser nomeado neste artigo. O executivo ressaltou que o interesse do grupo português no ativo também está relacionado à relevância logística que a FIOL terá para a América do Sul de forma geral.

A FIOL integra um plano para criar um corredor ferroviário que conectará os oceanos Atlântico e Pacífico. Esse corredor reúne a FIOL, a Ferrovia Centro-Oeste (Fico) e a Ferrovia Norte-Sul (FNS), estabelecendo conexões entre o litoral brasileiro e o porto de Chancay, no Peru.

Tal infraestrutura é considerada essencial para o escoamento da produção da mina da Bamin e para destravar o potencial mineral da Bahia e do nordeste brasileiro, além de facilitar o transporte de frutas, atividade importante na região.

O porto de Chancay, no Peru, foi inaugurado no final de 2024, impulsionado por investimentos chineses por meio da Cosco Shipping. Uma das estratégias da construção do porto é conectar áreas de alta produção de commodities em países da América do Sul a um terminal no oceano Pacífico, como forma de reduzir os custos logísticos das mercadorias destinadas ao mercado asiático.

Do lado brasileiro, o desenvolvimento do projeto logístico que inclui a ferrovia FIOL também terá importância relevante para a mineração.

Além do minério de ferro, o estado da Bahia possui reservas significativas de minerais como ouro, cobre, vanádio, diamantes, urânio e níquel.

Segundo projeções do Ibram, associação que representa as maiores empresas de mineração do Brasil, a Bahia deverá ser a terceira maior receptora de investimentos em projetos de mineração no país entre 2026 e 2030, atraindo cerca de US$11,7 bilhões (bi). Apenas Minas Gerais (US$19,6bi) e Pará (US$14,6bi) deverão receber mais investimentos nesse período.

Fonte: bnAmericas

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