Em 2024, o setor de transporte rodoviário gerou R$ 366,26 bilhões, representando 3,1% do PIB nacional e 5,3% do PIB de serviços, além de empregar cerca de 2,88 milhões de trabalhadores — o equivalente a 6% dos empregos formais no país. Os dados constam na nova edição da Série Especial de Economia – Investimentos em Transporte, da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
A análise revela que, nos últimos 24 anos, os aportes privados em rodovias apresentaram resultados mais rápidos e intensos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do transporte, quando comparados aos investimentos públicos realizados pela União. Um aumento de 1% nos investimentos privados gera um crescimento imediato de 0,09% no PIB do transporte, atingindo o pico de 0,17% em apenas nove meses. Já os investimentos públicos federais, embora essenciais, têm impacto mais gradual: um acréscimo de 1% resulta em expansão inicial de 0,02%, com pico de 0,15% após um ano e meio.
Apesar dessas diferenças, ambos os modelos são considerados complementares. Enquanto os investimentos privados tendem a se concentrar em áreas com maior atratividade econômica, os públicos são cruciais para garantir inclusão logística e desenvolvimento regional, especialmente em locais menos atrativos ao capital privado.
Esses dados reforçam a importância estratégica dos investimentos em infraestrutura para o crescimento econômico e a competitividade logística do Brasil.
Retorno acumulado
Os efeitos dos investimentos se acumulam ao longo do tempo. Cada obra concluída — pública ou privada — gera benefícios econômicos que se estendem por toda a vida útil da infraestrutura. Apesar das diferenças de desempenho, os dois tipos de investimento se complementam: o setor privado oferece agilidade e eficiência, enquanto o público é essencial em regiões com menor atratividade econômica.
“A articulação entre investimentos públicos e privados permite alavancar recursos, otimizar resultados e ampliar os benefícios para a infraestrutura rodoviária”, destaca Vander Costa, presidente do Sistema Transporte.
O modal rodoviário é o mais relevante do país, sendo responsável por 65% do volume de mercadorias transportadas e pela mobilidade de mais de 90% das pessoas.
Infraestrutura deficiente
Apesar da importância econômica, as rodovias brasileiras enfrentam sérios desafios:
- Apenas 12,4% da malha nacional é pavimentada
- Densidade de 25,1 km por 1.000 km²
- 67% da extensão avaliada está em estado regular, ruim ou péssimo (Pesquisa CNT de Rodovias 2024)
Desafio e perspectiva internacional
A CNT estima que seriam necessários R$ 99,77 bilhões para recuperar e manter a malha rodoviária avaliada. Sem esse investimento, o setor permanece limitado em sua capacidade de impulsionar o crescimento econômico.
No ranking global, o Brasil ocupa a 116ª posição entre 141 países em qualidade de rodovias, atrás de vizinhos como Chile, Argentina e Uruguai, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Confira o estudo completo da CNT, clique aqui.
Fonte: Frenlogi
