Reúso, eficiência e governança hídrica ganham destaque na agenda da semana
Na semana de 19 a 23 de outubro de 2026, a agenda de recursos hídricos ganha destaque com discussões sobre reúso de água, eficiência operacional, redução de perdas, saneamento rural e fortalecimento da governança das bacias hidrográficas.
O período também é marcado por novas articulações em torno da conservação de água e solo, pela implementação de diretrizes para adaptação às mudanças climáticas e pelo monitoramento de riscos hidrológicos em diferentes regiões do país.
Reúso de água ganha espaço como estratégia de planejamento hídrico
O reúso de água está no centro do Acqua Talks 2026, realizado nesta segunda-feira (19), em São Paulo, com o tema “Reúso de Água como Planejamento Estratégico”. O encontro reúne especialistas dos setores de saneamento, indústria, regulação e gestão de recursos hídricos para discutir alternativas capazes de ampliar a disponibilidade de água e reduzir a pressão sobre os mananciais.
A programação também prevê o lançamento do relatório “Reúso de Água na Prática”, reforçando a discussão sobre a incorporação do reúso ao planejamento de longo prazo. A pauta ganha relevância diante dos desafios de segurança hídrica, mudanças climáticas e necessidade de maior eficiência no uso dos recursos disponíveis.
Fenasan reúne setor de saneamento para discutir inovação e eficiência
Entre os principais eventos da semana está o 37º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan 2026, realizado de 20 a 22 de outubro, em São Paulo. A programação reúne profissionais, pesquisadores e estudantes para discutir tendências, tecnologias e soluções para o saneamento.
Um dos destaques será o debate sobre redução das perdas de água, marcado para quarta-feira (21). O painel discutirá como capacitação profissional, eficiência operacional e tecnologia podem contribuir para ampliar a disponibilidade hídrica e fortalecer a segurança hídrica.
A redução de perdas deixa de ser tratada apenas como uma questão operacional e passa a ser vista também como estratégia de sustentabilidade e adaptação climática, ao permitir melhor aproveitamento da água captada e dos investimentos realizados na infraestrutura de abastecimento.
Governança das bacias ganha destaque no debate sobre saneamento
A programação da Fenasan também coloca os Comitês de Bacias Hidrográficas no centro das discussões. Na quinta-feira (22), a mesa “Comitês de Bacias Hidrográficas: conectando territórios, pessoas e soluções para o futuro do saneamento” discutirá o papel dos colegiados na governança da água e na construção de soluções para os territórios.
A discussão reforça a importância da integração entre recursos hídricos, saneamento, investimentos e desenvolvimento regional. Para a engenharia, o fortalecimento dessa governança representa maior necessidade de planejamento, estudos técnicos e projetos capazes de transformar decisões dos comitês em ações concretas.
Saneamento rural busca modelos mais sustentáveis
Também na programação do encontro técnico, o saneamento rural será discutido a partir de modelos de gestão compartilhada e participação comunitária. O debate, previsto para terça-feira (20), abordará caminhos para ampliar a sustentabilidade e a universalização dos serviços em áreas rurais, considerando os desafios relacionados à dispersão populacional e à viabilidade dos sistemas.
A pauta evidencia que a universalização do saneamento exige soluções adaptadas às diferentes realidades territoriais, com integração entre poder público, comunidades, agentes financeiros e suporte técnico.
Programa Produtor de Água amplia integração entre conservação e segurança hídrica
A ANA apresentou, na última semana, os resultados do Programa Produtor de Água em reunião conjunta das Comissões Nacionais de Meio Ambiente e de Irrigação da CNA. A iniciativa busca aproximar a conservação de água e solo da produção agropecuária e fortalecer a articulação entre gestão hídrica, gestão ambiental e uso do território.
Segundo os dados apresentados, o programa reúne 74 projetos, sendo 61 em execução e 31 com pagamento por serviços ambientais. As iniciativas beneficiam aproximadamente 11 mil produtores rurais e abrangem 22,8 mil hectares de vegetação nativa conservada, além de 4,2 mil hectares recuperados ou em recuperação.
A experiência reforça uma tendência cada vez mais presente na gestão hídrica: combinar infraestrutura e planejamento com soluções de conservação ambiental e mecanismos de incentivo econômico.
Novas diretrizes reforçam adaptação às mudanças climáticas
Outro movimento importante para o setor foi a aprovação, pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), de uma revisão das diretrizes para elaboração dos planos de recursos hídricos e de um novo normativo voltado à adaptação às mudanças climáticas.
As medidas fortalecem a incorporação dos riscos climáticos ao planejamento das bacias e à gestão dos recursos hídricos, ampliando a necessidade de estudos, diagnósticos, monitoramento e soluções de engenharia voltadas à resiliência.
Monitoramento aponta atenção para riscos hidrológicos
O início da semana também exige atenção ao cenário de eventos hidrológicos. O Cemaden indicou, nesta segunda-feira (19), risco moderado de ocorrência de eventos hidrológicos no Rio Grande do Sul, em razão da propagação da onda de cheia na bacia do rio Uruguai.
Também foram classificados com risco moderado trechos de Minas Gerais e Espírito Santo, além de áreas da Bahia, devido à previsão de chuvas que podem provocar enxurradas, alagamentos, extravasamento de córregos e inundações em pequenas bacias.
O cenário reforça a importância do monitoramento hidrológico e da preparação de infraestrutura urbana e rural para responder a eventos extremos.
Uma agenda estratégica para a engenharia
A semana de 19 a 23 de outubro reforça que a segurança hídrica depende de uma combinação de infraestrutura, eficiência, conservação, inovação, governança e adaptação climática.
Para as empresas associadas à ANETRAMS, os temas em debate apontam oportunidades relacionadas a projetos de reúso, redução de perdas, saneamento, gestão de bacias, monitoramento, conservação ambiental e infraestrutura resiliente.
O desafio está cada vez mais em transformar conhecimento e planejamento em soluções concretas, capazes de ampliar a eficiência dos sistemas, proteger os mananciais e preparar os territórios para um cenário de maior variabilidade climática.
Monitoramento institucional e acompanhamento das principais agendas do setor.
